Esquerda e direita na política: entenda como funciona

O mundo está passando por uma polarização política que há tempos não se percebia na história da humanidade contemporânea. Isso fica evidenciado nos calorosos debates, conflitos e confrontos que viram notícia em jornais e televisão, principalmente no período eleitoral, que compreende meses antes e depois de a população ir às urnas.

Não é diferente no Brasil, que em 2018 viu a população se dividir em duas. Muitos termos foram utilizados para rotular pessoas, mas, de fato, você sabe a diferença entre esquerda e direita na política?

De onde surgiram os termos esquerda e direita na política?

As criações das duas denominações possuem origem junto com a Idade Contemporânea, com o evento da Revolução Francesa (1789-1815). Enquanto esse importante movimento criava forças no país europeu, a França se viu em uma divisão clara entre dois grupos políticos: os girondinos, formados por aqueles mais moderados e que buscavam conciliações, e os jacobinos, compostos por radicais mais revoltados. O primeiro ocupava o lado direito da Assembleia Nacional Constituinte, enquanto o segundo ficava à esquerda. É daí que surgiram os termos esquerda e direita.

Porém, como você pode perceber, ao longo dos anos os significados de o que é ser de direita ou de esquerda tanto na área da economia quanto da ideologia foram sendo alterados, chegando ao que temos nos dias de hoje, muito por conta de estudiosos dos dois lados que teorizaram e idealizaram sobre o assunto. Se de um lado temos nomes do Adam Smith, o pai do capitalismo, e Charles Maurras, do outro não podemos deixar de citar Karl Marx e Friedrich Engels.

O que é ser de esquerda?

Para entender como o comunismo e socialismo funcionam na prática é necessário entender a sua teoria, desenvolvida, principalmente, por Karl Marx no século XIX. De acordo com ele, os dois termos são definidos como etapas naturais e sucessivas do desenvolvimento social, que ocorreriam após o inevitável colapso do capitalismo.

Segundo a teoria, após o declínio do sistema vigente, haveria o fim da propriedade privada dos meios de produção e a criação de um estado forte sob o comando do proletariado, que teria em suas mãos os meios necessários para promover um regime mais igualitário, a começar pela desigualdade social.

Em seguida seria consolidado o comunismo, que seria instalado em um sistema tão igualitário entre os homens que sequer seria necessário um estado para intervir em alguma questão. É a ideia utópica que nunca conseguiu ser posta em prática – o próprio socialismo não conseguiu ser implantado em sua raiz.

No século XX, as duas palavras ganharam sentidos diferentes. Enquanto socialismo foi usado para definir políticas reformistas e de igualdade social obtidas através dos mecanismos democráticos, comunismo virou sinônimo de movimentos revolucionários que usavam de meios autoritários para aplicar as ideias propostas por Marx.

Esquerda e direita na política

O que é ser de direita?

Para entender as diferenças entre esquerda e direita na política é preciso ter em mente que ser de direita e ser capitalista não, necessariamente, significa a mesma coisa. Afinal, o capitalismo não é um sistema política, mas um sistema econômico. Porém, é inegável que os “direitistas” recebem muita influência das orientações econômicas desta escola.

A Revolução Francesa foi impulsionada pelo Iluminismo francês como um todo. Mesmo girondinos e jacobinos que possuíam muitas diferenças tinham em comum o ponto de que o progresso era necessário. Se lá a ideia era quase unanimidade, na Inglaterra ela era vista com maus olhos por Edmund Burke, o pai do conservadorismo.

O pensador britânico era contrário à ideia de que o desenvolvimento da sociedade passava pelo progresso pautado na razão, algo que para ele ia contra os preceitos da igreja. Foram as ideias de Burke que serviram como base para a evolução do pensamento de direita na Inglaterra e nos Estados Unidos. Para este grupo, a preservação da ordem, da moral, da tradição e religião era necessária para o desenvolvimento humano.

E não termina por aí. Eles também acreditavam que o futuro passava pela liberdade econômica, livre iniciativa e propriedade privada, algumas das ideias que também estão presentes no capitalismo.

Esquerda e direita na política

Diferenças entre esquerda e direita na política

Esquerda e direita são dois conjuntos complexos de pensamentos que não podem ser limitados. Aliás, é por conta desta limitação que a interpretação entre o que é ser de esquerda ou ser de direita muitas vezes é feita de forma equivocada.

Atualmente, ser de esquerda é ser a favor de políticas sociais de igualdade, como cotas raciais, igualdade de gênero, criminalização da homofobia, casamentos entre pessoas do mesmo sexo, de políticas progressistas (liberação das drogas, descriminalização do aborto) e dos direitos humanos (reforma agrária, cadeia como forma de reparação social).

Enquanto que ao se dizer de direita a pessoa é classificada como uma que simpatiza com o capitalismo, que defende a ausência do Estado na economia e nas liberdades individuais das pessoas, a ponto de que elas mesmas sejam responsáveis pelo futuro que terão. Presume-se também que os ideais estão pautados na religião, moral, família e tradição.

Na verdade, a discussão é mais ampla do que isso. Por exemplo, uma pessoa de esquerda ainda pode ser conservadora. Como? Ela pode querer uma intervenção pesada do Estado na vida das pessoas para promover a igualdade social, mas ainda ser contra políticas progressistas. Da mesma maneira, uma pessoa de direita pode defender pautas que “a esquerda defende”. Para isso, basta que ela seja a favor de um Estado que não interfira em nada na vida das pessoas e na economia, deixando por conta delas a decisão de usar ou não drogas.

Portanto, mais do que separar esquerda e direita na política, é preciso entender que ainda há ideias progressistas e conservadoras que não estão engessadas a uma orientação específica, assim como o autoritarismo, que muitas vezes é ligado à esquerda, mas que é encontrado em vários exemplos na história em governos direitistas.

Em suma, o que diferencia uma pessoa de esquerda de uma de direita é o que ela pensa sobre influência do Estado na sociedade e na economia, propriedade privada e como ela enxerga a sociedade (coletiva ou individual).

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