Plano de saúde nos Estados Unidos

Vários fatores tornam os Estados Unidos um país desejado por muitos como um sonho para se morar. Dentre esses indicativos, as políticas públicas de saúde não são algumas delas.

Afinal, isso sequer existe na terra do Tio Sam, o que torna obrigatória a aquisição de um plano de saúde nos Estados Unidos, visto que os altos custos com uma consulta particular tornam o serviço de saúde quase inacessível para a esmagadora parte da população.

A maneira como o país enxerga a saúde é polêmica e tema de debate ao longo de muitos séculos, sem nunca se ter chegado ao um cenário onde os serviços de saúde se tornassem mais acessivos ou gratuitos e de ótima qualidade, como acontece em quase todos os países da Europa, por exemplo – o Brasil oferece o SUS (Sistema Único de Saúde) como uma opção pública, mas é inegável que o projeto deixa muito a desejar.

Os Estados Unidos possui um sistema público de saúde?

Não, não existe qualquer tipo de sistema público de saúde institucionalizado nos Estados Unidos. Todo e qualquer atendimento médico é realizado em clínicas, hospitais ou consultórios privados, ficando tudo a cargo de planos de saúde ou uso particular.

No entanto, existem alguns programas do governo que possibilitam que parcela da população seja atendida gratuitamente ou com algum subsídio, mas com o atendimento sempre acontecendo em instituições privadas. São eles:

Medicare

Criado em 1966, o Medicare é um sistema de seguro social bancado pelo governo federal destinado a norte-americanos com idade igual ou superior a 65 anos e que tenham contribuído com impostos para a saúde durante o tempo de trabalho. Ele também abrange pessoas com deficiência ou invalidez que as impossibilitem de trabalhar.

Medicaid

O Medicaid é um programa voltado para a população de baixa renda e crianças beneficiadas pela renda de segurança suplementar do Estado, sustentado por uma parceria entre governos federal e estaduais, que arcam com os custos de quem não tem a menor condição de bancar suas despesas médicas.

Plano de saúde nos Estados Unidos

Por que os Estados Unidos não possuem sistema público de saúde?

Essa é uma questão que sempre vira pauta no país e que tem muito a ver com a cultura dos Estados Unidos, que sempre valorizou muito a ideia do “self made man”, um dos termos mais importantes do capitalismo norte-americano. Em português, o termo pode ser traduzido como “o home que se fez sozinho”, ou seja, aquele que alcançou o seu sucesso e sua riqueza por meio da própria dedicação e esforços, não dependendo de ninguém.

Isso está muito enraizado na cultura dos cidadãos, o que faz com que uma grande parte dos norte-americanos entenda que a questão do bem-estar social não é de responsabilidade do governo, mas sim de cada um. É como se esse fosse um dos preços pagos pela liberdade que o Estado dá para que cada pessoa decida como quer levar a sua vida.

É obrigatório ter plano de saúde nos Estados Unidos?

Durante alguns anos foi obrigatório ter um plano de saúde nos Estados Unidos, mais especificamente entre 2014 e 2016. Em 2010, o então presidente Barack Obama criou o Obamacare, um programa que previa que todos os cidadãos do país devessem possuir um seguro de saúde até o final de março de 2014. Quem não tivesse adquirido um plano teria que pagar uma multa. Em 2017, Donald Trump acabou com a cobrança da multa.

Porém, essa não foi a única mudança ocorrida com o plano de Obama. Uma série de outras aconteceram, algumas são mantidas até hoje, enquanto outras também já foram derrubadas por Trump, que tenta implantar uma nova política com relação à saúde da população, conhecida como Trumpcare.

Como funciona o plano de saúde nos Estados Unidos?

Existem duas modalidades de plano de saúde nos Estados Unidos: empresarial e particular. A primeira é a qual a maioria da população recorre, pois diminui os custos com seguro de saúde – quando a empresa não arca com todos os custos, ela divide com o funcionário que paga um valor mensal muito menor.

Para o empregado há um lado negativo, uma vez que ele fica refém das regras e dos planos que a empresa acordou com as companhias que oferecem plano de saúde, que pode acarretar em acesso limitado ao sistema de saúde.

Quem quer mais liberdade por contratar um plano individual. Apesar de ser um pouco mais cara, ela é flexível e permite ao contratante escolher todos os termos e regras que quer para o seu seguro. Como são várias empresas oferecendo esse serviço com planos diferentes, não é preciso ter muitos recursos para encontrar um que caiba no orçamento.

Particularidades do plano de saúde nos Estados Unidos

Existem muitos termos importantes para entender o funcionamento do sistema de saúde nos Estados Unidos e a sua relação com os planos de saúde que não são nada familiares no Brasil. Por isso, separamos eles abaixo para que você saiba quais são o que significam:

Plano de saúde nos Estados Unidos

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É a mensalidade que uma pessoa paga para ter acesso ao plano de saúde nos Estados Unidos.

Co-pay

Co-pay é uma espécie de taxa que é cobrada antes que você possa usufruir dos serviços do plano de saúde. Ela é fixa e depende da seguradora e do tipo de seguro que uma pessoa possui.

Co-insurance

Nem sempre os planos de saúde cobrem todos os gastos que um paciente tem com despesas de saúde. Nestes casos, é cobrado o co-insurance, a porcentagem que a seguradora não cobrirá e que fica a cargo do segurado. Por exemplo, em uma consulta de 1 mil dólares, se o co-insurance for de 10%, o cidadão terá que pagar 100 dólares.

Deductible

É algo parecido com uma franquia. Supondo que o seu plano tenha um deductible de 1 mil dólares, então seu plano só começa a ter validade depois que você tiver gasto esse valor naquele período de ano.

Out of pocket maximum

O termo se refere ao máximo que você gastará por ter utilizado o seu plano de saúde nos Estados Unidos. Para entendê-lo, é preciso utilizar outros dois que já apareceram aqui.

Vamos imaginar um plano com deductible de 1 mil dólares e co-insurance de 10% com um out of pocket maximum de 5 mil dólares. Quando você gastar os 1 mil dólares do deductible, ainda terá que arcar com 10% de qualquer despesa médica por conta do co-insurance.

Porém, se você passar por uma cirurgia que custou 100 mil dólares, pagará somente os 5 mil dólares do out of pocket maximum, e não os 10 mil que representam a porcentagem do co-insurance.